Discurso de Posse

Minhas senhoras, distintos convidados e meus Irmãos em todos os vossos graus e qualidades, a todos saúdo, lamentando que os constrangimentos de tempo não permitam que a cada um, de per si, me dirija como a convivência e a amizade construída ao longo de já alguns anos mereceria.

As minhas primeiras palavras serão naturalmente para agradecer:

A todos vós, pela honra que nos dão no compartilhar desta sessão que é testemunho da maturidade e do caminho correcto trilhado pelo nosso Supremo Conselho.
 
Aos meus Irmãos do Colégio Eleitoral, pela confiança que em mim depositaram ao elegerem-me Soberano Grande Comendador, e pelas suas presenças:

Ao muito respeitável Grão-Mestre da GLLP/GLRP, representante da regularidade e reconhecimento internacional da nossa Grande Loja, base de todos os corpos maçónicos regulares portugueses, para quem vai igualmente o carinho devido ao companheiro de longo caminho maçónico, percorrido sob a égide de uma profunda amizade e lealdade;

Aos muito respeitáveis Grão-Mestres das Grandes Lojas da Arménia e de Washington D.C.;

Aos dirigentes dos corpos maçónicos regulares portugueses, testemunho da harmonia reinante no seio da Maçonaria Portuguesa;

Às representações do Rito Escocês Antigo e Aceite dos Países Irmãos de Língua Oficial Portuguesa, a quem quero reforçar a expressão dos nossos mais fraternais sentimentos;

Às delegações presentes dos Supremos Conselhos dos Estados Unidos da América do Norte, França, Espanha, Brasil, Inglaterra e País de Gales, Suíça, Itália, Holanda, Polónia, Roménia, Alemanha, Bolívia, Finlândia, Austrália, Rússia, Costa do Marfim, Togo, Eslovénia, Bulgária, Croácia, Sérvia, Chipre e Letónia lideradas, na sua grande maioria, pelos seus Soberanos Grandes Comendadores e a todos os Supremos Conselhos que, impedidos de se fazerem representar, se nos dirigiram por escrito.

A ti, meu querido irmão José Carlos Nogueira, pela honra que me deste de receber o malhete de tão ilustres mãos, expressando igualmente, neste momento, o reconhecimento pelo trabalho profícuo desenvolvido ao longo dos teus mandatos quer em prol do Supremo Conselho para Portugal quer no âmbito da Maçonaria Universal. Por mais que alongasse as minhas palavras, elas nunca seriam capazes de descrever a tua dimensão como homem e como maçon, pelo que deixo tal tarefa à representatividade da festa de hoje, testemunho do amor e respeito de que és merecedor, não só no âmbito do nosso Supremo Conselho como nos das Maçonarias quer Portuguesa quer Universal.

Espero que me perdoem por romper um pouco o protocolo habitual, estendendendo estes agradecimentos à presença da sua esposa, que o tem acompanhado a ele e a nós em tantas actividades em prol da Maçonaria Regular.

Aos mui ilustres Soberanos Grandes Comendadores dos Supremos Conselhos de França, Irmão Serge Poulard, de Espanha Irmão Ramon Izquierdo e do Brasil Irmão Luís Torres, pela distinção que muito me sensibilizou da entrega das insígnias do meu novo cargo pelos representantes de 3 dos mais antigos Supremos Conselhos do mundo.

Bob Woodward – Deputy Grande Inspector-Geral para os Corpos Militares Americanos da Nato, a quem afectuosamente todos tratamos por Daddy, é verdadeiramente gratificante para mim contar com a tua presença nesta ocasião tão importante da minha vida maçónica. O apreço que todos nós por ti nutrimos e o reconhecimento do nosso Supremo Conselho pelo apoio que de ti recebemos, não só aquando da sua fundação mas também em momentos difíceis por que passou, foi consubstanciado na mais alta condecoração deste Supremo Conselho que hoje te foi concedida.
Obrigado Bob.

O mandato que agora se inicia zelará por dar continuidade ao caminho traçado pelo Past Soberano Grande Comendador tendo em conta os ensinamentos que dele emanaram.

Gostaria, agora, de vos convidar a uma pequena reflexão:

Pode o homem caminhar para o esplendor, buscar a luz que o ilumina por dentro e fazer brilhar o escuro, ensinando caminhos, atingindo os que lhe estão próximos, a sociedade que o rodeia e o mundo?

Pode o homem cultivar o seu ser espiritual, apreender e cuidar da sua centelha divina, reflectindo, conhecendo, ganhando uma nova consciência, transcendente, espiritual?

Olha-se hoje uma nova realidade que nos comove, que nos inquieta, que é o nosso tecto e o nosso chão, uma realidade fascinante pelo desafio que coloca a cada maçon de poder agir, introduzindo valores, padrões, referências, objectivos, éticas.

E de que forma temos intuído, percepcionada essa nova realidade? Que projectos? Que novas direcções?

Passividade, conformismo, inércia, alheamento, obscurecem a capacidade de participar ou mesmo de desenvolver uma nova cultura do homem, da sociedade e da vida.

É, pois, necessário que, norteados pelos ideais maçónicos de verdade, tolerância e nobreza de alma humana, os nossos trabalhos se orientem no aprofundamento de uma espiritualidade que nos proporcione o caminho da nossa realização numa perspectiva de Ser, por oposição a uma sociedade que, cada vez mais, parece privilegiar a competição e o Ter.

Alicercemos, num passado de virtudes, que fundamentam a nossa identidade, a construção do Templo no futuro, orientado à vocação máxima da Maçonaria que é melhorar o homem e o mundo.

Olhada como um sistema moral, que honra o compromisso de explorar um projecto único de vida, que conduz à descoberta da natureza interior do ser, da sua espiritualidade, da consciência plena de caminhar para o seu aperfeiçoamento pessoal, importa que a Maçonaria defina caminhos seguros pelos quais as verdades morais e éticas possam ser transmitidas, nomeadamente:

Lutando intransigentemente por uma sociedade focalizada nos valores do direito e da liberdade;

Sendo pilar de um ecumenismo e tolerância que contrariem os fundamentalismos religiosos e outros;

Apoiando e promovendo acções tendentes a garantir um Planeta, cuja natureza preservada possa ser usufruída pelas gerações futuras;

Continuando a constituir um centro de reflexão filosófica e de prática de rituais esotéricos, destinados a revelar verdades que a linguagem humana não consegue exprimir no seu sentido absoluto, importa definir novos rumos voltados para o mundo profano, tendo em conta que verdades inquestionáveis de hoje podem ser erros num amanhã próximo;

Construindo uma enorme corrente de contágio psicológico e espiritual para um renascimento da consciência, e

Criando unidade em acções conducentes, não só à difusão mais eficaz dos ideais comuns que nos orientam, como também à prossecução de objectivos sociais em que todos nos empenhemos, ultrapassando assim limitações decorrentes da nossa multiplicidade e estreitando os fortes laços fraternais que sempre nos uniram.

Termino, pedindo ao Grande Arquitecto do Universo, cuja protecção sempre evocamos, numa visão ecuménica do Deus revelado em que cada um de nós, como maçon regular, obrigatoriamente acredita, que a todos ilumine na responsabilidade da construção de um mundo melhor e na descoberta de novos caminhos em prol da Maçonaria Universal e, consequentemente, em prol do homem, da sociedade e do mundo.